top of page
NOTA INTRODUTÓRIA E MANIFESTO EXEGÉTICO
A Tradução Resgate nasce do compromisso inegociável com a integridade do Texto Massorético e a exegese do Novo Testamento Grego em suas testemunhas mais antigas — os códices unciais do século I ao IV. Esta obra oferece ao leitor, ao teólogo e à comunidade acadêmica uma restituição filológica pautada pela jurisprudência bíblica, desfazendo séculos de anacronismos e amálgamas dogmáticos que obscureceram a clareza do texto sagrado.
1. A Restauração dos Substantivos Funcionais e Qualitativos
Ao longo da história das traduções vernáculas, o emprego injustificado de maiúsculas e a transformação de títulos funcionais em nomes próprios criaram distorções conceituais graves. A Tradução Resgate reestabelece a precisão dos termos originais:
-
O Adversário Promotor (Ha-Satan / Ho Satanas): O uso do artigo definido no hebraico e no grego designa rigorosamente um cargo ou ofício judicial da corte celestial — o encarregado da instrução probatória, do crivo e da acusação formal. O Promotor atua sob estrita jurisdição do Altíssimo, preservando o Monoteísmo Estrito e eliminando a noção dualista de uma divindade rival do mal.
-
O Caluniador (Diabolos): No grego uncial (scriptio continua), o termo diabolos opera como adjetivo qualitativo e substantivado ("aquele que calunia, usurpa ou difama"). Não se trata de um nome próprio, mas da personificação da fraude e da degradação moral. É essa qualidade rebelde que recebe a sentença definitiva no Lago de Fogo (Apocalipse 20:10).
-
Brilhante, Filho da Alvorada (Helel Ben-Shachar): A tradução estrita da poesia profética de Isaías 14:12 elimina a interpolação do termo latino lucifer (inserido na Vulgata Latina e transformado em mito medieval), restaurando o oráculo poético original dirigido à soberba e queda do rei histórico de Babilônia.
2. A Coerência Teológica da Criação e da Justiça Divina
A Tradução Resgate alinha a exegese dos textos de provação à matriz inegociável de Gênesis 1:31 — a declaração de que tudo o que Deus criou era muito bom (tov me'od).
O mal não é tratado como uma substância ontológica criada, nem como fruto de uma falha na arquitetura divina. Em passagens como a narrativa do Nachash (Gênesis 3), as declarações de João 8:44 ou os decretos de Apocalipse 20:7–8, a tradução evidencia que a provação e o crivo cumprem o Decreto Soberano e o Passivo Divino (Passivum Divinum). A soltura probatória ao término da era não representa uma libertação descontrolada do mal, mas o acionamento do crivo legal para expor a disposição oculta das nações e vindicar a perfeita justiça do Juiz Supremo antes do Grande Trono Branco.

bottom of page